O Acampamento (2017)

Terror, Suspense | 88 min
Avaliação:
6/10
6

História do filme

Sam e Ian decidem acampar e descansar, mas as férias se transformam em uma batalha pela sobrevivência quando eles encontram uma criança ensanguentada que se esconde no mato. Mais tarde, eles ficam sabendo que um crime perturbador foi cometido no local.

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Trailer: O Acampamento

Terror, Suspense

Avaliações ( 1 )

  • Henrique Nunes 06 / 09 / 2017 Resposta

    O Acampamento, dirigido por Damien Power, é um terror australiano que se aproxima mais da realidade do espectador do que os monstros criados por Hollywood. Por meio de duas histórias que se encontram em uma única narrativa, uma família e um casal se tornam as caças de dois homicidas que se satisfazem com o sofrimento de suas vítimas. A alternância entre o presente e o passado é um quebra-cabeça que faz o espectador suar frio na cadeira enquanto torce contra o inevitável. Apesar do crescente suspense agradar nos primeiros minutos, da metade para em diante o filme peca ao tratar desmedidamente com questões como estupro, pedofilia e infanticídio.

    Considerando a ordem cronológica dos fatos, a primeira história se ambienta em uma floresta isolada, e narra os terríveis acontecimentos à uma família composta por um casal e dois filhos (uma adolescente e um bebê). Sozinhos e distantes de qualquer ajuda, a jovem e seus pais são capturados por dois assassinos estupradores e passam a ser torturados no que é o momento mais chocante do filme. O enquadramento distante usado para mostrar o sofrimento das vítimas é cruel com o espectador, que é obrigado a observar, desnecessariamente, por incontáveis minutos, o corpo nu da adolescente molestada, enquanto sua família é massacrada.

    A segunda história se passa no mesmo bosque, um dia após o massacre. Um casal de namorados resolve acampar ao lado da barraca abandonada pela finada família. Percebendo que algo está errado, eles saem para procurar ajuda, mas são impedidos pelos maníacos da floresta. Aqui, cabe uma pausar citar que, não por acaso, durante a primeira história, a jovem filha é acudida pelos pais durante um sono agitado. Em seguida a esposa discute com seu marido sobre um tratamento para o problema, em que o final de um pesadelo pode ser mudado para algo bom, um final feliz. A frase final do homem sobre esse assunto é uma predição para o que está por vir no restante da história: “Então se não gosta do final da história é só mudar […] parece coisa dos Estados Unidos”. Nesta cena, o diretor declara que irá abrir mão de todos os clichês com finais felizes dos filmes de terror tradicionais. Diante disso, o filme inicia uma sucessão de tragédias: a única sobrevivente da família torturada é assassinada, o protagonista ao recusar agir heroicamente abandona seu amor (que em decorrência do ato é violentada) e o bebê (símbolo de pureza e esperança) que é arremessado (para morte) no chão por um dos bandidos. Nem mesmo a chegada dos policiais, que deveriam representar um alívio, traz uma solução ao problema. O filme é pessimista, sempre que possível.

    A proposta de fugir do trivial é genuína, mas um filme de terror, mesmo original, deve ser um entretenimento e não uma tortura. É prudente que depois de todo o sofrimento, haja um exorcismo, que o bem vença o mal, mesmo momentaneamente. Em O Acampamento, o destino das vítimas é muito pior do que o dos criminosos. O olhar enfurecido de Sam (Harriet Dyer) para seu namorado Ian, no final do filme, coloca o rapaz como o culpado da situação devido sua falta de coragem, algo compreensível para situação, mas não desejável para uma conclusão, uma vez que os criminosos foram aqueles que morreram na floresta. É como se Damien Power punisse seus personagens em função de suas próprias escolhas criativas. A ausência desta sensação de vitória cria um efeito de vulnerabilidade para quem está assistindo a obra, abre espaço para aflição além do filme. O problema se torna ainda maior quando o assunto tratado é algo muito próximo da vida real. A distância de segurança entre o espectador e a ficção é encurtada e o entretenimento é anulado pelo sentimento de pavor no apagar das luzes. O filme poderia ser melhor, mas peca pelo excesso.

    6 / 10

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