It: A Coisa (2017)

Drama, Terror | 135 min
Avaliação:
9/10
9

História do filme

Quando as crianças começam a desaparecer na cidade de Derry, no Maine, as crianças do bairro se unem para atacar Pennywise, um palhaço malvado, cuja história de assassinato e violência remonta há séculos.

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Trailer: A Coisa

Drama, Terror

Avaliações ( 1 )

  • Henrique Nunes 07 / 09 / 2017 Resposta

    It: A Coisa (2017) é um filme de terror dirigido por Andy Muschietti (Mama, 2013) baseado na obra homônima de Stephen King. O diretor Tommy Lee Wallace, responsável pela adaptação de 1990 do livro, expressou, anos atrás, sua preferência em relação às partes em que as crianças estavam presentes na história. Por acaso ou não, a versão de 2017, dirigida por Muschietti, foca-se somente nesta parte da história, e com isso a produção entrega ao espectador uma versão mais cativante do que a de seu predecessor, afinal de contas, quem não gosta de crianças em um filme de terror? Muschietti faz uma homenagem às pessoas que tiveram a infância e a adolescência na década de 80. Com referências à itens da cultura pop como Street Fighter e A Hora do Pesadelo, o filme tenta conquistar pela nostalgia aqueles que viveram em tempos que a diversão se encontrava na rua, longe das telinhas. Além disso, aspectos técnicos como fotografia, trilha sonora, mixagem de som, estão muito acima dos filmes de terror comuns.

    A narrativa gira em torno do medo, “emoção mais básica, primária, absoluta” (Ana Maria Bahiana, Como Ver um Filme). Bullying, abuso sexual, violência doméstica, doenças, responsabilidades, cada uma das crianças possuí uma razão para o crescimento deste sentimento. Medo é o que alimenta Pennywise (Bill Skarsgård), ele tortura suas vítimas ao máximo antes de devorá-las, é sua razão de existir. A cada 27 anos, a aberração em forma de palhaço retorna para infernizar a cidade de Derry. Cientes da situação, mas impotentes diante de seus medos, os cidadãos preferem ignorar o problema do que enfrentá-lo. Por que não procurar o corpo de um filho sumido? Por que não impedir que agressores cortem uma criança? Qual a razão de inventar uma doença somente para proibir o filho sair de casa?

    O encontro dos amigos protagonistas com Beverly (Sophia Lillis) é fundamental para a mudança deste cenário. A garota é o fator coragem para os meninos, ela sempre está a frente para ajuda-los a superarem seus medos: pular de um penhasco, atacar seus agressores, ir atrás do irmão sumido de Bill (Jaeden Lieberher). Os garotos também são importantes para ela. Em uma cena em que o pai pedófilo da menina toca seu cabelo, enojada, ela corta suas madeixas na pia do banheiro. Um pouco mais a frente, estes fios, que representam aquele sentimento negativo pelo pai, voltam para atacá-la e criam um cenário de horror naquele ambiente. Seu pai, seu agressor, que pouco se importa com ela, não é capaz de ver aquela sujeira. Já seus amigos, que compartilham de suas angustias, conseguem ver a bagunça e são os responsáveis por ajudá-la a superar aquele momento traumático. Assim como nas outras versões desta história (filme e livro), aqui a amizade é valorizada perante o medo.

    As contratações do diretor de fotografia Chung-hoon Chung (Oldboy, 2003) e do compositor Benjamin Wallfisch (Estrelas Além do Tempo, 2016) foram fundamentais para a representação desses sentimentos e a forma com que eles chegam até o espectador. A cada antecipação de um susto, as músicas e os sons agudos dos instrumentos de cordas são responsáveis por fazer o coração da plateia bater mais forte e como disse o mestre do suspense Alfred Hitchcock: “Não há terror num tiro ou num golpe, mas na antecipação de um tiro ou de um golpe”. Os recursos sonoros são muito eficazes ao causar os jumscares que os fãs de filmes de terror amam. Os cenários escuros e sombrios também são importantes para que essa atmosfera de medo se complete. Chong é responsável por belíssimas imagens, como por exemplo: o momento em que o irmão de Bill corre atrás do barco de papel na chuva, quando Beverly é filmada por cima saltando do penhasco, quando Richie (Finn Wolfhard) olha para o caixão em um quarto cheio de palhaços, quando o banheiro de Bererly se torna um terror escarlate. É possível citar, vários exemplos de competência técnica, mas estes são somente alguns deles que já fazem o filme valer a pena.

    IT: A Coisa é um flerte com a infância distante do presente mundo digital. Por meio do filme, é possível reviver os tempos em que as “grandes aventuras” se davam em cima de bicicletas, em uma época aonde a amizade real era mais valorizada que a virtual. A história permite ao espectador lembrar que todos tiveram algum medo durante a juventude, e a amizade era importante no processo de superação. Andy Muschietti e sua equipe potencializam essa percepção por meio do uso competente de sons e imagens, o bom e velho cinema arte está presente aqui.

    9 / 10

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