Extraordinário (2017)

Drama, Família | 113 min
Avaliação:
7/10
7

História do filme

Auggie Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto que nasceu com uma deformação facial, o que fez com que passasse por 27 cirurgias plásticas. Aos 10 anos, ele pela primeira vez frequentará uma escola regular, como qualquer outra criança. Lá, precisa lidar com a sensação constante de ser sempre observado e avaliado por todos à sua volta.

Crítica

Engana-se quem pensa que Extraordinário (2017) tem somente crianças e adolescentes como público alvo. O diretor Stephen Chbosky (As Vantagens de Ser Invisível, 2012) é capaz de se comunicar com jovens e adultos nesta obra. O filme não se destaca por seu estilo (mise-en-scène, fotografia, montagem e trilha sonora), inclusive, neste aspecto, não se destaca em relação a outros melodramas. Mas chama a atenção para algumas atuações e principalmente por sua forma fílmica, mais especificamente sua narrativa. 

Extraordinário conta a história de Auggie (Jacob Tremblay), uma criança que nasceu com complicações de saúde, que resultaram em deformações faciais, fato que fez com que ele se escondesse durante toda sua vida. Ao completar dez anos de idade, sua mãe, Isabel (Julia Roberts), substitui a educação domiciliar do garoto por uma escola primária, a fim de que ele tenha convívio com outras crianças. Apavorado, o menino aceita o desafio, porém sua inserção neste meio se torna uma tarefa difícil para ele e para sua família. 

A forma com que essa história é contada, sua narrativa, se torna um dos maiores atrativos do filme. Ao invés de focar-se no ponto de vista de um único personagem, são mostradas as visões de quatro pessoas em relação aos fatos: Auggie (o protagonista), sua irmã, Via (Izabela Vidovic), seu colega de escola, Jack Will (Noah Jupe) e a amiga de sua irmã, Miranda (Danielle Rose Russell). A função deste formato é permitir a identificação do espectador com diferentes pontos de vista relacionados ao preconceito. Por intermédio de Auggie, percebe-se o quão cruel as pessoas podem ser diante do que é diferente delas. Aqui, a discriminação deve-se à uma deformação física, mas neste contexto poderiam se encaixar situações como cor da pele, escolha religiosa, orientação sexual, posicionamento político. As possibilidades são infinitas, e é nesta situação que adultos podem se identificar e perceber quão infantis certas atitudes são em relação ao desigual. Os preconceitos do espectador são representados pelos outros três personagens, eles retratam vergonha, incompreensão, baixa autoestima e inclusive a tentativa de tirar proveito de uma situação como esta (como no caso de Miranda). 

Somadas à narrativa, algumas atuações merecem ser destacadas. Atuações infantis normalmente são fofas ou cômicas, mais do que isso é exigir muito de uma criança. Tremblay convence ao assumir um papel que exige uma habilidade dramática muito pesada para sua idade (onze anos). Em Quarto de Jack (2015) ele fez um ótimo trabalho e aqui ele consegue se sair bem novamente. Já Julia Roberts se encaixa perfeitamente no papel de uma mãe dedicada. Atriz experiente e consagrada por dramas românticos e familiares é um rosto muito bem-vindo para este gênero fílmico e responde muito bem ao que lhe é exigido. Owen Wilson não é tão versátil quanto seu par, mas também agrada como alívio cômico. 

Devido sua história, narrativa e atuações, Extraordinário é um melodrama acima da média. O filme caminha bem, não se perde, e torna-se agradável de ser assistido. Faz com que o espectador reflita sobre a forma de lidar com as diferenças dos outros. Apesar de não ter nada de extraordinário, agradará quem gosta do estilo. 

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