Tau (2018)

Ficção Científica, Suspense | 97 minutos
Avaliação: 5/10
5

História do filme

Tau é uma ficção científica com narrativa em clima de suspense. Produzido e disponibilizado pela Netflix, o filme fala sobre privacidade digital, tema que se intensificou na mídia após o vazamento de dados do Facebook para beneficiar campanhas políticas. Esta é a primeira direção de Federico D’Alessandro, que também trabalhou como supervisor de animações em filmes como O Homem Formiga (2015) e Doutor Estranho (2016). Seu elenco é composto por Maika Monroe, protagonista do excelente terror Corrente do Mal (2014), Ed Skrein, o vilão Ajax do também bem sucedido Deadpool (2016) e por Gary Oldman (este dispensa apresentações) que empresta sua voz para a Inteligência Artificial, Tau. Infelizmente, apesar de ter uma premissa interessante, o filme não consegue se desenvolver bem e se torna maçante e previsível. 

Após uma noite de furtos, a ladra Julia (Maika Monroe) é surpreendida e sequestrada em seu apartamento. Ela é levada para um laboratório onde suas memórias são extraídas e armazenadas pelo cientista Alex (Ed Skrein). Seu sequestrador tem o objetivo de aprimorar TAU (Gary Oldman), uma tecnologia de ponta, capaz de armazenar informações e aprender a tomar decisões por meio do aprendizado de seus “usuários”. TAU é também o guardião da casa em que Julia está aprisionada. 

O filme discursa sobre como as tecnologias podem ser invasivas e de que forma isso afeta a vida humana. Para quem ainda não sabe, empresas como Google e Facebook lucram com a utilização dos dados de seus usuários. As fotos, os e-mails, as curtidas, as localizações de GPS, tudo isso é utilizado por essas empresas com o objetivo de traçar um perfil de seus utilizadores e posteriormente valer-se dessas informações de forma comercial, a fim de obter lucros. Tau toma decisões baseadas nas memórias das pessoas: deseja um bom dia logo pela manhã, toca música para acalmar o ambiente e até prepara as comidas prediletas de alguém chega do trabalho. Alex é pressionado por outras organizações para liberar sua tecnologia que é capaz de fornecer essa vantagem, e para isso ele está disposto a tudo, inclusive matar pessoas para que seu protótipo seja finalizado. 

Os pontos fracos do filme incomodam, e muito. Atuações apagadas, recursos de computação gráfica pobres, história repetitiva, total previsibilidade, tudo isso o torna cansativo, mas se perder no tema é o seu maior pecado. Tau limita-se a retratar as corporações como vilãs e seus usuários como vítimas. Durante a narrativa, são extraídas de Julia memórias de maus tratos cometidos por seus pais. Em nenhum momento, TAU se vale do aprendizado sobre Julia para tirar vantagem. Pelo contrário, essas memórias acabam posteriormente sendo usadas como benefício para a moça que cria um vínculo afetivo com a máquina. 

O filme se perde quando abre mão de sua proposta inicial para se tornar um melodrama da máquina que queria ser gente. Tau é uma referência clara para Hal 9000, ou somente Hal, a inteligência artificial de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. No filme que serviu de inspiração para obra de D’Alessandro, Hal, após coletar as informações de seus tripulantes, usa isso como vantagem e de fato nos leva a refletir até que ponto devemos permitir a interferência de uma tecnologia em nossas vidas. Tau (o filme) serve como um entretenimento para uma sexta-feira  depois do trabalho, mas está longe de colocar lenha na fogueira da discussão na qual ele se propõe. 

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