“O tempo passa e o homem não se dá conta”Dante Alighieri

A passagem de tempo em um filme é diferente da vida real. Isso significa que é possível viajar milhares de anos em apenas poucos segundos, como por exemplo em 2001: Uma Odisseia no Espaço, em que somos transportados da pré-história até um futuro em que os humanos já viajam no espaço. Apesar de existirem exceções, em que cada minuto de filme equivale a um minuto cronológico, de modo geral, um filme é composto por lapsos temporais. O recurso que permite mudar de um instante para outro, omitindo alguns acontecimentos, é conhecido como elipse narrativa.

Esse elemento narrativo, não exclusivo do cinema, suprimi momentos desnecessários da história e mostra ao espectador somente aquilo que importa para o entendimento de um filme. Os motivos e as formas de utilização deste recurso variam conforme a criatividade de um diretor e sua equipe.

Em Cidadão Kane, Orson Welles consegue em um único cenário mostrar o desgaste do relacionamento de Kane e sua esposa ao longo dos anos. Se ouvíssemos somente o áudio desta cena, poderíamos imaginar que esta é uma conversa contínua de dois minutos, mas o envelhecimento na aparência dos personagens, seguidos de uma transição de imagens, revela o passar dos anos e o agravo dos problemas do casal.

Nesta maravilhosa cena de Up: Altas Aventuras, as imagens contam a história do casamento de Carl até o falecimento de sua esposa Ellie. As transições ocorrem por meio de cortes simples. O que permite deduzir a passagem do tempo são situações como a construção de uma casa, a descoberta de uma esterilidade, cabelos esbranquiçando. A função desta sequência é justificar o porquê das atitudes de Carl no início do filme, como por exemplo, o apego ao local em que mora.

Quando o policial Nicholas é transferido de Londres à Sandford em Chumbo Grosso, uma série de cortes rápidos mostram não somente uma viagem de mais de 200 quilômetros em apenas 30 segundos, mas também a mudança de uma metrópole para uma cidadezinha de interior. A movimentação do personagem é percebida pelos diversos meios de transportes mostrados. O isolamento do grande centro é criativamente representado por meio de planos em que o celular de Nicholas vai perdendo o sinal da antena de comunicação a medida em que ele se aproxima de seu destino.

Em elipses talvez não tão criativas quanto as já citadas, porém ainda eficazes, Rocky IV mostra a evolução dos lutadores Rocky e Drago por meio de socos que se tornam mais fortes e levantamento de objetos cada vez mais pesados.

Esses são apenas alguns exemplos interessantes de elipses no cinema. E você, se lembra de alguma elipse que mercê ser lembrada? Então deixei aqui nos comentários!